Passada a primeira metade de 2026, empresas que ainda não adaptaram seus sistemas ao destaque de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS na nota fiscal têm cada vez menos margem para deixar a tarefa para depois. O ano-teste criado pela Emenda Constitucional 132/2023 e pela Lei Complementar 214/2025 dispensa do recolhimento quem cumpre as obrigações acessórias — mas essa dispensa depende, justamente, de cumpri-las. Em janeiro de 2027, a CBS passa a valer integralmente, e o período de adaptação acaba.
Como funciona o ano-teste
Desde o início de 2026, as notas fiscais devem destacar a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1%. O desenho é deliberado: as alíquotas são simbólicas e a empresa que entrega corretamente as obrigações acessórias não precisa recolher os valores. O que o fisco quer neste primeiro ano é testar o fluxo de informação — layout de documento fiscal, novos códigos de classificação e apuração — antes de o dinheiro de verdade começar a circular.
Para o contribuinte, o cálculo é o inverso: 2026 é a única chance de errar barato. Um campo mal parametrizado ou um código de classificação incorreto hoje gera, no máximo, retrabalho. Em 2027, com a CBS integral, o fim de PIS e Cofins, o IPI zerado (exceto na Zona Franca de Manaus), o início do Imposto Seletivo e a implantação gradual do split payment, o mesmo erro passa a ter efeito financeiro direto. As etapas completas da transição estão no cronograma da reforma tributária.
Checklist mínimo para fechar 2026 em dia
Para empresas fora do Simples Nacional, cinco frentes resumem o que precisa estar resolvido até o fim do ano:
- Atualizar o emissor de NF-e/NFC-e para o layout com os campos de CBS e IBS. Sem isso, a nota simplesmente não carrega o destaque exigido.
- Parametrizar os novos CFOP e CST, incluindo o código de classificação tributária (cClassTrib) de cada produto ou serviço.
- Conferir se o ERP calcula os 0,9% + 0,1% corretamente em cada operação, comparando amostras de notas emitidas com o resultado esperado.
- Acompanhar as obrigações acessórias do período, já que é o cumprimento delas que mantém a dispensa de recolhimento durante o ano-teste.
- Começar a mapear créditos e contratos para 2027: quais fornecedores geram crédito, quais contratos precisam de revisão de preço e quais cláusulas mencionam tributos que deixarão de existir.
O risco de tratar o teste como burocracia
O custo de ignorar o ano-teste não aparece em 2026 — aparece em 2027, de uma vez. A empresa que chegar a janeiro sem emissor atualizado corre o risco de ter notas rejeitadas; a que não parametrizou os códigos vai apurar imposto errado no primeiro mês de CBS integral; a que não acompanhou as obrigações acessórias pode perder a dispensa de recolhimento ainda neste ano. Há também um efeito silencioso: sem o mapeamento de créditos, a empresa entra no novo sistema sem saber quanto de imposto pago a fornecedores poderá recuperar, o que distorce a formação de preços.
O detalhamento do que muda no documento fiscal — quem precisa se adaptar e o que acontece com quem não destaca os novos tributos — está no artigo sobre a nota fiscal em 2026.
Por onde começar, na prática
O primeiro passo é uma verificação simples: emitir uma nota de teste e conferir se os campos de CBS e IBS aparecem preenchidos. Se não aparecem, a conversa com o fornecedor do emissor ou do ERP é urgente — as filas de atualização tendem a crescer no fim do ano. Se aparecem, o trabalho passa a ser de conferência: amostrar notas emitidas nos últimos meses, validar os códigos de classificação item a item e alinhar com o contador o calendário de obrigações acessórias do segundo semestre. Não é um projeto grande, mas é um projeto — e o prazo para executá-lo com calma termina em dezembro.
Perguntas frequentes
Minha empresa precisa pagar CBS e IBS em 2026?
Na prática, não. Em 2026 as alíquotas de teste são de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, mas quem cumpre as obrigações acessórias fica dispensado de recolher. O objetivo do ano é validar sistemas e cadastros, não arrecadar.
O que acontece se a empresa ignorar o ano-teste?
A empresa perde o período de adaptação assistida e chega a 2027 — quando a CBS passa a valer integralmente — sem sistemas parametrizados, sem equipe treinada e sem histórico de apuração. Além disso, quem não cumpre as obrigações acessórias perde a dispensa de recolhimento.
Empresas do Simples Nacional entram no destaque de 2026?
O foco do ano-teste é nas empresas do regime normal, que emitem nota com destaque de CBS e IBS. Para o Simples, a decisão relevante de 2026 é a opção pelo regime híbrido, que deve ser feita até setembro para valer no primeiro semestre de 2027.
O que muda em 2027 para quem passou pelo ano-teste?
Em 2027 a CBS entra em vigor integral, PIS e Cofins deixam de existir, o IPI é zerado (exceto na Zona Franca de Manaus), começa o Imposto Seletivo e o split payment passa a ser implantado gradualmente. Quem usou 2026 para ajustar sistemas faz essa virada com muito menos atrito.
Aviso: conteúdo informativo, que não substitui a orientação de um contador ou advogado tributarista. A regulamentação da reforma segue em andamento e os valores podem mudar.