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Perguntas e Respostas

A reforma tributária vai aumentar os preços?

Depende do produto: a reforma redistribui a carga tributária. Veja o que tende a ficar mais caro, o que deve ficar mais barato e por que serviços preocupam mais que produtos.

Josias RibeiroPublicado em

Depende do produto ou serviço: a reforma tributária foi desenhada para manter a carga total constante, mas redistribui o peso entre setores. Serviços tendem a ficar mais caros, produtos industrializados tendem a ficar mais baratos e a cesta básica passa a ter imposto zero. Não há aumento generalizado previsto.

Como a reforma mexe nos preços

A Emenda Constitucional 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, troca cinco tributos sobre o consumo por dois: a CBS (federal, no lugar de PIS e Cofins) e o IBS (de estados e municípios, no lugar de ICMS e ISS). A alíquota padrão estimada fica entre 26,5% e 28%, cobrada "por fora" — destacada na nota e somada ao preço.

Esse número parece alto, mas ele substitui tributos que hoje já estão embutidos nos preços de forma pouco visível. O ponto central é outro: hoje cada setor paga uma carga diferente, cheia de exceções e efeitos em cascata. Com a alíquota única, quem pagava pouco tende a pagar mais, e quem pagava muito tende a pagar menos. É uma redistribuição, não um aumento.

O que tende a subir, cair ou ficar igual

Tendência de preços por categoria com a reforma tributária
CategoriaTendênciaPor quê
Serviços em geral (academia, salão, assinaturas, manutenção)Tende a subirSaem de ISS de 2% a 5% para a alíquota padrão, com poucos créditos a abater
Produtos industrializados (eletrodomésticos, veículos, vestuário)Tende a cairFim do efeito cascata e crédito amplo em toda a cadeia produtiva
Cesta Básica Nacional (arroz, feijão, carnes, leite, ovos, café)Tende a cairAlíquota zero de CBS e IBS
Saúde, educação, medicamentos e transporte coletivoPouca mudançaRedução de 60% sobre a alíquota padrão
Profissões regulamentadas (advogados, contadores, engenheiros)Sobe menos que os demais serviçosRedução de 30% sobre a alíquota padrão
Cigarros, bebidas alcoólicas e outros itens nocivosTende a subirIncidência do novo Imposto Seletivo a partir de 2027

A lógica por trás da tabela é simples. A indústria hoje acumula tributos ao longo da cadeia — cada elo paga imposto sobre o imposto do elo anterior. O novo sistema dá crédito integral de tudo o que foi pago nas etapas anteriores, o que reduz o custo final. Já os serviços, que hoje pagam ISS municipal baixo e usam pouca matéria-prima, perdem essa vantagem relativa.

Por que a carga total não aumenta

A legislação prevê que a alíquota padrão seja fixada por resolução do Senado com um objetivo explícito: arrecadar o mesmo que os cinco tributos substituídos arrecadam hoje. Se a arrecadação na transição vier acima do esperado, a alíquota de referência é ajustada para baixo. É por isso que a estimativa aparece como uma faixa (26,5% a 28%) e não como número fechado.

Além disso, o consumidor de baixa renda ganha um mecanismo direto de devolução: o cashback tributário devolve parte da CBS e do IBS para famílias inscritas no CadÚnico, com devolução de 100% da CBS em contas de luz, água, gás e telecomunicações.

Quando cada mudança chega ao preço

Nada muda de forma relevante em 2026: é o ano-teste, com CBS de 0,9% e IBS de 0,1% apenas destacados na nota fiscal, sem recolhimento para quem cumpre as obrigações acessórias. Em 2027 a CBS entra em vigor no lugar de PIS e Cofins, o IPI é zerado (exceto Zona Franca de Manaus) e nasce o Imposto Seletivo. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS caem gradualmente (90%, 80%, 70% e 60% das alíquotas atuais) enquanto o IBS sobe. Em 2033 o sistema fica completo. O detalhamento ano a ano está no nosso cronograma da reforma tributária.

O que observar no seu orçamento

Para famílias, o efeito líquido depende da composição do consumo. Quem gasta proporcionalmente mais com alimentação básica tende a sentir alívio; quem consome muitos serviços (streaming, academia, cursos livres, serviços domésticos) tende a sentir aumento gradual a partir de 2027. Para empresas, o momento é de recalcular preços considerando os créditos que passarão a existir — um fornecedor que hoje embute tributo em cascata no preço pode ficar mais barato na prática.

Vale acompanhar também como os supermercados vão repassar a alíquota zero da cesta básica: a desoneração é garantida por lei, mas o repasse integral ao consumidor depende da concorrência em cada mercado. Outras dúvidas frequentes estão reunidas no nosso hub de perguntas e respostas sobre a reforma.

Perguntas frequentes

Por que os serviços tendem a ficar mais caros?

Hoje muitos serviços pagam ISS de 2% a 5% mais PIS/Cofins cumulativos, uma carga menor que a alíquota padrão estimada de 26,5% a 28% do novo sistema. Como serviços usam pouca matéria-prima, também geram poucos créditos para abater. A redução de 30% para profissões regulamentadas e de 60% para saúde e educação ameniza, mas não elimina, essa diferença.

Quando os preços começam a mudar de fato?

O ano de 2026 é apenas de teste, com alíquotas simbólicas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS destacadas na nota sem recolhimento para quem cumpre as obrigações acessórias. A CBS entra para valer em 2027, e o IBS cresce gradualmente entre 2029 e 2032, enquanto ICMS e ISS caem na mesma proporção. O efeito completo nos preços só se consolida em 2033.

A alíquota padrão já está definida?

Não. A estimativa oficial fica entre 26,5% e 28%, mas o valor exato será fixado por resolução do Senado Federal conforme a arrecadação observada na transição. A cobrança será "por fora", ou seja, o imposto aparece destacado e é somado ao preço do produto ou serviço.

A carga tributária total do país vai aumentar?

O desenho da reforma prevê carga total constante: a alíquota padrão será calibrada para arrecadar o mesmo que PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS arrecadam hoje. O que muda é a distribuição entre setores — alguns pagarão mais, outros menos, mas a soma foi projetada para não crescer.

Alimentos vão ficar mais baratos?

Os itens da Cesta Básica Nacional de Alimentos, como arroz, feijão, carnes, leite, ovos, café e pão francês, terão alíquota zero de CBS e IBS. Outros alimentos fora da cesta terão redução de 60% sobre a alíquota padrão. A tendência é de alívio no supermercado, embora o repasse dependa da concorrência em cada mercado.

Aviso: conteúdo informativo, que não substitui a orientação de um contador ou advogado tributarista. A regulamentação da reforma segue em andamento e os valores podem mudar.